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O fim do começo e não o começo do fim

Traduzindo em miúdos, como se fosse uma minissérie, terminamos a primeira parte e estamos agora começando a parte conclusiva. Já sabemos quem são os mocinhos e os bandidos. O tempo de duração desse desfecho é que não está muito claro e os próximos capítulos serão escritos em função da reação do público e do comportamento do xerife. Quais as normas de conduta que serão adotadas para os protagonistas principais? Por aqui, a Bolsa continua sustentada com fluxo positivo do capital estrangeiro. 
Esses investidores, os grandes responsáveis pela valorização do mercado em 2006/2007, foram também os grandes vendedores em 2008. Os investidores tupiniquins é que aguentaram as pontas. 
Para que se tenha uma idéia mais precisa, no mês em curso entraram US$ 2,365 bilhões, quase 4 vezes o que entrou em abril – US$ 630 bilhões. Para o quadrimestre o saldo positivo é de US$ 606 milhões. 
O Ibovespa, que chegou a baixar aos 38.000 pontos, vem se mantendo na faixa dos 50.000, mostrando uma excelente reação. Não há unanimidade, como seria de se esperar se esse nível de preço é sustentável. A reação no preço das commodities agrícolas e minerais tem ajudado o mercado. 
Até aqui, os efeitos sobre a economia brasileira têm sido administrados e em termos comparativos, suportamos os efeitos mais violentos da crise. As contas externas mostram desempenho acima das expectativas projetadas ao final de 2008 e no início desse ano com saldo bem razoável na balança comercial. 
O dólar, enfraquecido mundialmente, valoriza a nossa moeda, que chegou a 2,50 no auge da crise, e hoje está sustentado ao redor de 2,00 reais por dólar. 
Os exportadores reclamam, e recomeçam as discussões sobre o câmbio flutuante, seu mérito e problemas, e os mais críticos favorecem medidas restritivas que penalizem o capital dito especulativo que estamos recebendo. Convenhamos que é fácil atirar pedras e não apresentar soluções plausíveis. Até o momento o câmbio flutuante foi um bom instrumento da política cambial.
O problema não é a força do real e sim a fraqueza do dólar. Com a situação mundial mostrando sinais de reversão, o pânico afastado, a fuga para o dólar enfraqueceu. O temor à médio prazo está também ligado à reclassificação do risco dos papeis do tesouro americano, o que alguns anos atrás seria inconcebível. 
Parece assim que vamos conviver com o nosso Real como moeda forte, com todos os benefícios e problemas daí oriundos. 


Roberto Teixeira da Costa, economista, fundador do CEBRI (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) e membro do Conselho do Inter American Dialogue, de Washington. Foi presidente do Ceal – conselho de Empresários da América Latina.

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