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A controvérsia sobre o pagamento de bônus aos executivos

A controvérsia sobre o pagamento de bônus aos executivos 

O pagamento expressivo de bônus aos executivos da maior seguradora mundial, a AIG, que para não quebrar recebeu a injeção de US$ 170 bilhões do tesouro norte-americano, tem causado grande indignação e polêmica não só nos Estados Unidos, como também em outros países.

Alguns formadores de opinião na União Européia, por exemplo, têm se manifestado contra o pagamento desse tipo de premiação aos executivos, argumentando que ela incentiva a maximização de resultados das empresas a curto prazo, desconsiderando seus objetivos de médio-longo e aos seus "stakeholders", ou seja, todos aqueles que direta ou indiretamente estão vinculados ao ambiente onde a empresa opera. 

Essa forma de remuneração, praticada principalmente pelas instituições financeiras, acabou sendo adotada por diferentes setores de atividade econômica. Quando surgiu, estava circunscrita apenas ao 1º escalão das empresas. Hoje essa premiação vai até o 2º ou 3º escalão, incluindo gerentes. 

Ao longo do tempo, as fórmulas de cálculo de bônus foram se sofisticando. Atualmente ela não está mais única e exclusivamente ligada ao lucro final da companhia, depois dos impostos e outras reservas obrigatórias. Dependendo evidentemente de cada empresa e do setor, esse cálculo leva em consideração vários fatores, através de um sistema de pontuação e estabelecimento de pesos relativos. 

Obviamente a rentabilidade da empresa e do setor onde os executivos/gerentes operam, continua sendo da maior relevância. Porém, o cumprimento das metas previamente estabelecidas, como esse gestor se relaciona com seus pares e com seus subordinados, sua atuação externa como representante da empresa e a relação com fornecedores e clientes são fatores considerados. Ele também tem de estar vinculado a uma visão global e de longo prazo da organização. 

Assim, embora possa parecer paradoxal, uma empresa pode apresentar prejuízos--portanto operando no vermelho--e ainda assim alguns executivos e gerentes receberem remuneração variável. Certamente essa premiação seria muito maior, caso a empresa tivesse operado no azul. Vamos exemplificar com um caso hipotético. Uma empresa x teve um desempenho operacional ótimo e todos seus setores cumpriram as metas fixadas, tendo aumentado seu "market share" e a produtividade. No entanto, uma política temerária na gestão de tesouraria, levou aquela empresa a contabilizar ao final de exercício expressivo resultado negativo.

Pergunto: será que aqueles que trabalham arduamente, cumpriram suas obrigações, atenderam ao que lhes foi proposto e que contavam com esse ganho, devem ser punidos? Será que a empresa, que deles precisa para se recuperar, irá reconhecer o esforço dos executivos ou incentivá-los para que mudem de casa? Assim, a questão de remuneração variável, que se traduz em pagamento de bônus, tem de ser analisada com muito maior objetividade e frieza. 

Atribuir a essa forma de incentivo a origem de todos os males me parece uma simplificação do problema. É óbvio que alguns esquemas terão de ser repensados e salários revistos, assim como a implementação de controles mais rígida, inclusive, com tetos nos ganhos. Continuo acreditando, no entanto, que uma fórmula de incentivo bem concebido, com uma equação que não privilegie a curto prazo em detrimento do futuro e premie aqueles que pensam globalmente não deve ser abandonada. 

Roberto Teixeira da Costa, economista, fundador do CEBRI (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) e membro do Conselho do Inter American Dialogue, de Washington. Foi presidente do Ceal – conselho de Empresários da América Latina.

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