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Dólar ficará mais caro e demanda mais fraca, diz ex-BC economista Afonso Pastore

Valor Econômico- 29/10/2008 – Sergio Lamucci – SP 

Entrevista: Dólar ficará mais caro e demanda mais fraca, diz ex-BC economista Afonso Pastore, que defende pausa na alta dos juros (já confirmada).

Reproduzimos abaixo alguns tópicos que merecem reflexão e facilitam na Visão Estratégica para os negócios: 

    “O grave problema de solvência que atingiu o sistema financeiro dos Estados Unidos e Europa provocou uma parada brusca do fluxo de capitais, afetando todos os mercados emergentes que direta ou indiretamente dependem destes recursos”. 

    “Os investimentos estrangeiros diretos vão diminuir, o fluxo externo para a bolsa será menor e haverá menos recursos externos para financiar projetos de investimento das empresas. Essa redução nos fluxos de capitais produz depreciação do cambio real, independentemente de onde ficarem os preços de commodities (os principais produtos exportados pelo país).”

    “Estamos na maior crise desde 1929. Ela atinge o Brasil não porque o país esteja fraco. O País tem hoje fundamentos muito melhores. Afeta o Brasil, pois é um “tsunami” de grandes proporções”.

    “Não é uma crise de liquidez do sistema bancário internacional, mas de solvência.”

    “Nos EUA e Europa, como há bancos insolventes, é necessário resolver o problema de solvência, o que pode ser de dois modos. O 1° é deixar o sistema financeiro quebrar. Como a economia de mercado não funciona sem crédito, sem intermediação financeira, você produziria uma depressão de grandes proporções. Para evitar isso, é necessário outro tipo de estratégia. Pode ser a solução idealizada inicialmente pelo secretario do Tesouro americano, Henry Paulson, em que se compram os ativos e se da um tempo para os bancos buscarem capital.”

    “Com menos crédito, haverá recessões se acentuando em países que já estão em recessão, este é o impacto desse processo sobre a economia global.”

    “Vamos ter um processo e redução do PIB dos paises industrializados, o que afeta também os mercados emergentes. Países como a China e Índia podem segurar um pouco a desaceleração global, mas não vai impedí-la. Em segundo lugar, vão cair os preços de commodities. Mas o que ocorre agora é uma parada brusca do fluxo de capitais.”

    “O Brasil terá que promover ajustes, pois estamos com um déficit que, em condições normais, seria perfeitamente financiável. Ele atinge pouco mais de U$20 bilhões em 12 meses. Mas se pegarmos os últimos três ou quatro meses e anualisar, esta entre U$ 35 bilhões e U$ 40 bilhões. O déficit esta crescendo. O aumento não seria problemático se você tivesse fluxo de capitais para financiar, mas a situação mudou.”

    “A parada brusca justifica uma maxidesvalorização, pois esta saindo capital do país. Se o BC não estivesse atuando, a maxi não seria de 30%, seria muito maior. Ela é só de 30% pois o BC faz leiloes de linha, vende dólares a vista e vende swaps cambiais. Devido a ação ativa e correta no cambio, evita-se um stress maior.”

    “As empresas vão descobrir aos poucos, tanto quanto o BC, onde vai estar esse cambio de equilíbrio. A economia brasileira vai ter que passar por um ajuste na direção da desaceleração do crescimento. Não há disposição de cortar os gastos.”

    “Empresas brasileiras para financiar os seus projetos de investimento, dependem parcialmente de credito externo”.

    “O cambio é flutuante, e o Brasil se beneficiou da valorização enquanto ele durou. O erro é pensar que o cambio não flutuaria, tomando decisões assumindo essa hipótese. O cambio fixo é ainda pior.”

    “Para alguns economistas de peso a credibilidade do BC é importante e que é necessário aumentar os juros, eu respeito este argumento”

    “Em um momento como este, em que há uma incerteza sobre o quanto o lado da economia esta sendo afetado, é melhor esperar para ver a dimensão do efeito sobre atividade derivada da contração de credito.”

    “A segunda onda de especulação levou o BC a ter que mostrar o canhão (os leilões de U$ 50 bilhões em swaps cambiais), para dizer que é capaz de fazer a intervenção."

    “Pode haver uma nova alta dos juros ou não. Mas acho que é uma pausa para voltar a subir. Suponha que todo mundo que vende produtos importados ou exportáveis nunca tenha formado os preços como cambio de R$ 1, 55,R$ 1, 60, mas de R$ 1,70. Vamos considerar que o câmbio fique em R$ 2, 10, e não em R$2,30 ou 2,40. Com uma alta de R$1,70 para R$ 2,10,em cinco ou seis meses a inflação ficaria 1,9 ponto percentual acima do nível atual. Como estamos com uma inflação de 6,2% ela subiria para 8,1%. Você vai jogar fora a meta de inflação, dizer que não quer? Como é que você traz de 8,1% para 4,5% ou 5%, 5,5% ou 6% , sem aumentar os juros?”

    Se a contração de crédito persistir por três meses, a atividade econômica vem abaixo. Mas com o BC tomando ações, você pode esperar uma volta gradual do crédito. 

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